Roberto Chenk levou um grupo de voluntários da Primeira Igreja Batista de Florianópolis para um projeto missionário na cidade de Beira, Moçambique, que recebeu o nome de “Reflita”, trabalhando em parceria com a igreja local, a Igreja da Graça de Cristo. O grupo permaneceu em Moçambique do dia 28 de junho até o dia 26 de julho.

Cartaz promocional da
Cartaz promocional da

A equipe foi composta por Ideraldo Rafael, Isabela Tobouti, Juliana Rodrigues, Malani Chenk, Maria José Chenk, Méri Sartori, Priscila Tobouti, Roberto Chenk, Talita Elbert. Para maiores detalhes, vejam o blog da viagem: http://reflita.pibfloripa.org.br/?page_id=151

Nesses dias essa equipe desenvolveu diversas ações, como atendimento de saúde e odontológico, trabalho com crianças, atendimentos de viúvas e em um grupo de mulheres que fazem trabalhos de costura e artesanato, grupos de visitas, pregação em diversas igrejas, curso de capacitação de liderança para pastores e líderes locais da Igreja da Graça de Cristo em Moçambique e no Instituto Bíblico Sofala – Beira.

Maria José, Malani e Chenk no aeroporto
Maria José, Malani e Chenk no aeroporto

A equipe também realizou viagens ao interior de Moçambique para apoio a três igrejas na cidades de Acaia, Nhamatanda e Matondo. Além disso a equipe está levando  diversos materiais para serem doados como medicamentos, escovas dentárias, materiais para trabalhos com crianças, materiais para costura, aparelhos de pressão, literaturas infantis, material evangelístico, diversos livros teológicos, literaturas devocionais e de estudos, entre outros materiais. além de levar a Beira o Primeiro Livro da Missionária Maura Jucá, que está há 20 anos trabalhando nesta localidade, desenvolvendo um trabalho maravilhoso.

Maura Jucá, gradaduada internacional do Haggai em Moçambique
Maura Jucá, gradaduada internacional do Haggai em Moçambique

Maura Jucá também é graduada internacional do Haggai em 2006 e atualmente é docente e coordenadora pedagógica do Instituto Bíblico de Sofala. Um motivo de grande festa é que a equipe pôde trazer para Moçambique 350 unidades do livro escrito pela missionária Maura Jucá na área de Ensino Bíblico no contexto moçambicano, que foi produzido no Brasil.

Roberto Chenk enviou relatórios quase diários sobre a viagem, um trabalho que resultará na publicação de um livro de contos sobre a experiência vivida em Moçambique. Abaixo uma amostra de um dia de atividades do grupo, relatado pelo Chenk, referindo-se ao dia 01 de julho, um domingo :

Hoje pela manhã, domingo, vivemos momentos muito especiais. O primeiro foi de tomar café com a Maura ouvindo seus testemunhos do trabalho em Moçambique.

Logo após o café gostoso fomos para o culto. Usar o transporte local conhecido como “chapa cem” já é uma experiência especial. Todos querem pegar o carro ao mesmo tempo e tem uma regra local que é 4 pessoas em cada banco, Não importa o tamanho da pessoa! Tem que entrar e rápido. A Maura já tem todas as formas de fazer isso. Outro detalhe, nem pensar em falar “jeito”, pois aqui significa relação sexual.

Igreja onde o culto se realizou no domingo, dia 01 de julho
Igreja onde o culto se realizou no domingo, dia 01 de julho

Chegamos ao local aonde o culto iria se realizar depois de andar pela comunidade. É difícil explicar o tamanho das necessidades desse povo. Entre as pessoas que fomos visitar estava uma mulher chamada Maria. Esta mulher é uma viúva de um pastor local que morreu a algum tempo de HIV. Foi muito chocante entrar num cubículo de dois cômodos, sem móveis, úmido e escuro e encontrar uma mulher gemendo de dores e morrendo de meningite deitada em uma esteira no chão. A única coisa a fazer foi orar por ela e consolá-la com o amor de Jesus. É difícil sentir a completa impotência para tentar salvá-la. Tivemos que deixá-la e na saída outros pastores locais também estavam indo visitá-la e consolá-la enquanto o Senhor não a tomava em seus braços. Oramos e cremos no milagre, mas ao falecer ela será apenas mais uma pessoa vitima da tragédia da doença e fome neste local. A Maura está muito triste, pois essa mulher é uma das que receberam o Senhor através do seu ministério. Pedimos ao Senhor um milagre, senão participaremos do nosso primeiro velório em Moçambique.

Quanta influência a Maura tem nesse lugar. Enquanto íamos passando por dentro da comunidade a pé, ela ia chamando mulheres crianças, homens para o culto que por sinal não tem hora para começar e nem terminar. A celebração começo e as pessoas foram chegando e cantando. Um coral lindo e só para dar água na boca, agora já são 21h00min e tem pelo menos 12 crianças aqui na casa cantando e dançando louvores a mais de uma hora com um ânimo de tirar o fôlego!

Igreja onde o culto se realizou no domingo, dia 01 de julho
Igreja onde o culto se realizou no domingo, dia 01 de julho

Foi uma experiência maravilhosa poder pregar numa igreja cheia e que as pessoas ficavam em pé pelos lados da igreja. Eu preguei em português e fui interpretado por um pastor local para o dialeto Cisena (lê-se Xisena). Eles fizeram uma homenagem linda para nos receber e uma merecida homenagem a Maura. Foram quatro horas e meia de uma intensa celebração com cantos e danças em todos os momentos. É algo inesquecível ver esse povo simples trazer os seus dízimos e contribuições, e a gratidão que eles têm a Deus pela vida. Logo depois das danças onde eles entregaram as ofertas o pastor conta ao povo como foram as ofertas, e todos dançam e batem palmas agradecendo a Deus pelo que foi levantado. Enquanto nós participávamos do encerramento do culto a Maura foi receber a Priscila no aeroporto e graças a Deus ela chegou bem e não teve problemas de alfândega.

Amanhã vamos contar um pouco sobre o tipo de vida do povo Moçambicano e do ministério da Maura, assim como alguns desafios locais. Repasse essas cartas a outras pessoas e orem por esse tempo de Deus aqui em Beira, e que os outros da equipe possam viajar no dia 3 para nos encontrar.

Pastor Roberto Chenk