“Assim veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta” (Jeremias 1:4). Sou Profeta no nome e nas nações, pois fui chamada desde o ventre da minha mãe.

Thaís Profeta, secretária executiva do Haggai em Minas Gerais
Thaís Profeta, secretária executiva do Haggai em Minas Gerais

Índia: o desafio

Este ano fui desafiada a ir para a Índia. Fui convidada por um casal de amigos da Jocum em Mumbai para dar aula de Desenvolvimento Comunitário na Escola de Crianças em Risco da Jocum, em Mumbai, no período de 9 a 13 de setembro de 2013. Aceitei o desafio, me preparei e fui com a cara, a coragem, Deus no controle e intercessores na brecha. A Índia é um país completamente diferente do nosso em todos os aspectos: cultura, costumes, comida, língua, religião, infra-estrutura. Um País de contrastes gritantes entre o rico e o pobre, religiões, crianças, etc.

Thaís ensinando com o Livro Sem Palavras
Thaís ensinando com o Livro Sem Palavras

Foram 15 dias vividos intensamente a cada minuto. Por conta da diferença de fuso horário, lá são 8h30 a mais do que em Belo Horizonte. Enquanto aqui é dia, lá é noite, e vice-versa. Foram momentos únicos, marcantes e inesquecíveis. Foi difícil voltar. Queria ficar, pois ainda havia tanto para ver, pessoas para conhecer, coisas para fazer. O tempo voou!

Conhecendo a realidade social da Índia
Conhecendo a realidade social da Índia

Sonho árabe: Doha

Meu vôo foi por Doha, no Qatar, e tive o privilégio de pisar em um país árabe. Sempre quis saber por que Deus me deu uma cara de árabe e acabei descobrindo que também tenho cara de indiana. Um calor de deserto de 35ºC me esperava, mas foi o calor humano que mais me impressionou. Todos muito educados, desde o aeroporto, hotel, imigração, museu, shopping, etc. No saguão do aeroporto tinha uma multidiversidade de etnias, línguas e culturas. Mas logo que você chega na sala da imigração você percebe que está em um país árabe principalmente pelo fato dos homens vestirem aquela roupa branca com turbante na cabeça. A maioria das mulheres usa meia burca, onde o rosto fica descoberto. Vi várias mulheres trabalhando no museu, recepção, shopping, lojas, etc. Bem diferente da impressão que eu tinha antes de viajar.

Chegada

Ao chegar a Mumbai fui recepcionada com muito carinho pelos meus amigos e amigos dos amigos. Logo na chegada já fiquei sabendo de um jantar oferecido pelo Consulado Brasileiro em Mumbai para os brasileiros no dia da Independência do Brasil (7 de setembro) no Taj Mahal Hotel, em Mumbai. Foi um evento esplendoroso, em um hotel deslumbrante, magnifico, que também foi palco de um ataque terrorista em 2008, quando vários funcionários e hóspedes morreram desde a recepção até o quarto andar.

Jantar no Taj Mahal Hotel
Jantar no Taj Mahal Hotel

Ainda bem que só soube disso depois que já estava lá dentro, vestida como uma indiana. Tive a oportunidade de fazer alguns contatos com brasileiros e indianos e aproveitei a oportunidade para presentear a Consul do Brasil em Mumbai e um ministro da Índia com um CD de música gospel brasileira.

Aulas e Alunos

Na Escola de Crianças em Risco em Mumbai eu tinha cinco alunos, sendo quatro indianos e uma boliviana. Sim, foram 15 mil quilômetros por causa de cinco alunos. Foi um tempo de comunhão, de compartilhamento de experiências, transmiti conhecimento e absorvi a experiência deles na Índia. Foi uma troca. Os alunos foram:

Grupo de alunos da Escola de Crianças em Risco
Grupo de alunos da Escola de Crianças em Risco

Alok: Ele mora em Orissa, região onde aconteceram aqueles atentados aos cristãos em 2008 e muitos deles morreram. É um dos estados da Índia onde os cristãos têm sido mais perseguidos. Ele faz um trabalho entre as famílias das favelas, com filhos de hindus e muçulmanos. Ajuda como obreiro da Jocum nas ETEDS (Escolas de Treinamento e Discipulado). Tem muito talento, sendo dois deles desenhar e dançar.

Rose: Menina de Manipur, um dos estados da índia mais necessitados também. Trabalha na capital da índia, Nova Delhi, com crianças em risco, crianças de rua. Durante o dia, ela ensina princípios, educação, noções básicas de higiene, alimenta e veste estas crianças.

Kenei: Ela é de Nagaland. É uma professora de pré-escola de Hindi e Inglês. De família classe média na índia, ela ainda não trabalha em nem um ministério, mas entende que o Senhor a tem chamado para trabalhar com crianças de favela na índia.

Aaron: Ele é de Andra, sul da índia, mas trabalha na Jocum da cidade de Valsad. Ele é obreiro na Escola de Treinamento e discipulado ETED. Tem um chamado para trabalhar com crianças em risco. Veio se preparar pra começar um trabalho com crianças em situação de risco na cidade em que mora agora.

Yandira: Veio da Bolívia e já trabalha com crianças de rua.

Jantar de despedida dos alunos à base de pizza
Jantar de despedida dos alunos à base de pizza

Deixando a frescura de lado

Só não consegui fazer duas coisas: comer com a mão, exceto pizza, e usar a latrina. Enquanto existir um local com vaso sanitário, ali usarei. Latrina somente em casos extremante necessários, o que não foi o caso.

Outros testemunhos

Conheci outros missionários brasileiros que me surpreenderam com suas histórias, o que me ajudou também a entender melhor as necessidades do missionário em um campo transcultural.

Muito me impressionou o testemunho de um casal que trabalha na “zona vermelha” e viveram um livramento do Senhor quando a polícia entrou dois dias seguidos no beco onde estavam, pois um cliente tinha matado uma mulher ao lado de onde estavam com as crianças.

Visita a uma comunidade cigana
Visita a uma comunidade cigana

Visitando o ministério que meus amigos iniciaram com tais crianças também, fiquei emocionada ao conhecer uma moça de 18 anos que foi resgatada da “zona vermelha” quando criança. Ela viveu no orfanato onde eles trabalharam e hoje mora em uma casa com outras dez meninas que foram resgatadas e mudaram de vida. Hoje ela faz faculdade de serviço social e almeja fazer um mestrado. E ainda arranja tempo para trabalhar com essas crianças e proporcionar para elas um momento de esperança e paz, mostrando que com Deus é possível sair de lá.

Quão honrada fiquei ao conhecer um casal de Puna e sua família. Seu ministério me impactou muito. Parecia que estava hipnotizada, pois não conseguia parar de ouvir seu testemunho.

Fora de Mumbai

No final, viajei para outras duas cidades para visitar duas colegas indianas. Fui homenageada como convidada de honra na Victory Nursery & Primary School em Chennai, onde as crianças estavam me aguardando, todas sentadas no chão, uniformizadas, arrumadinhas, lindas. Fizeram apresentações de dança, recitaram poema, cantaram o hino nacional em Tamil (língua da cidade), posaram para fotos. Unforgetable!

Homenagem dos alunos da Victory Nursery School, em Chennai
Homenagem dos alunos da Victory Nursery School, em Chennai

Depois fomos de carro para uma cidade vizinha, Vellore, para visitar outra colega. No dia seguinte visitei uma comunidade de ciganos (Gipsy) ajudados pelo ministério Karunai Illam, que os ajuda a desenvolver atividades de subsistência e também no reforço escolar das crianças. Além disso, tive o privilégio de conhecer o Christian Medical College.

Fechando com chave de ouro

Networking é tudo! Em função de um contato de uma amiga no Brasil fui recepcionada em Mumbai no último dia por um colega indiano da faculdade, que me pegou no aeroporto nacional, me levou para sua humilde residência no sul de Mumbai, que é um bairro nobre na cidade. Sua família estava me esperando para conversarmos. Pude me refrescar com um ótimo banho e lavar meu cabelo antes de viajar, depois fomos jantar em um restaurante japonês, com direito a sobremesa em um café delicioso, e me deixaram no aeroporto internacional para pegar meu vôo de volta ao Brasil. No check in o rapaz me entregou meu ticket de embarque e me informou que iria de primeira-classe até Doha e depois iria de econômica até o Brasil. O término da viagem foi mais que especial. 

Agradecimentos

Agradeço a Deus pela oportunidade, pelos recursos, pelos contatos, pelo privilégio de servi-Lo com meus dons e talentos. Pelo apoio e incentivo da família, amigos e igrejas. Ao casal de amigos que me recebeu, pelo convite, confiança e receptividade. Aos intercessores por ficarem na brecha. Pude sentir o cuidado e proteção de Deus em cada lugar que estive. Aos mantenedores que apoiaram esse projeto com passagem, brindes, material didático, evangelístico, escolar, datashow, telão, etc.