Deficientes encontram uma porta aberta

Terça, 09 Nov 2004 por Pablo Marcelo

Sua igreja possui instalações adequadas para receber portadores de deficiência? Há rampas de acesso? Banheiros adaptados e adequados? Como seria a vida dos familiares destas pessoas portadoras de variadas deficiências? Essas e muitas outras perguntas passaram pela cabeça do Dr. Marcos Paiva, médico e pastor da Igreja Nova Vida de Niterói e membro do Conselho Consultivo do Instituto Haggai. Ele e sua equipe ainda estão buscando muitas respostas, porém, agora com um ministério que atende mais de 40 portadores de deficiências e dá assitência a seus familiares.

Tudo começou num encontro de casais quando conheceu casualmente a esposa paraplégica de um pastor. Foi ali que se deparou diretamente com essa realidade. E pensou: “O que eu tenho feito neste sentido?”. Algum tempo depois, na Argentina, teve a oportunidade de conhecer um ministério voltado para portadores de deficiências. A partir de então, foram dados os primeiros passos de um trabalho inovador. As dificuldades geradas pela inexperiência inicial foram logo contornadas com treinamentos, estudos e longas etapas de adaptações do templo. “Muito mais do que recebê-los no templo, temos a preocupação em atendê-los de forma completa: com orientações sociais, orientações médicas e de higiene, amplo atendimento fonoterápico e fisioterapêutico, além de ajudar psicologicamente, espiritualmente e socialmente seus familiares – na sua maioria, pessoas de baixa renda”. Mas, uma nova perspectiva surgiu durante sua participação no Seminário Nacional de Liderança Avançada em João Pessoa. “Quando comecei a escrever o Projeto, percebi a necessidade desairmos de nossa prática, digamos ‘amadora e doméstica’ que estava nos limitando, para um projeto bem estruturado. Tínhamos que ter metas adequadas, sabermos o que queríamos de fato e determinar como chegar lá. Assim avançamos!”.

Com o foco mais definido, sua esposa Débora decidiu focar seu mestrado em pedagogia com uma especialização em educação para deficientes. No projeto foram redefinidos também os objetivos, as metas, as estratégias. Busca-se, atualmente, um novo local: mais amplo e adequado, para atender mais pessoas e por mais dias. Almeja-se, também, ampliar o trabalho das fonoaudiólogas e das fisioterapeutas, oferecer mais oportunidades de emprego aos familiares destas pessoas, além de fazer conhecida a lei da deficiência (ou seja, da obrigatoriedade das empresas em oferecer vagas a portadores de deficiência). Busca-se ainda a aquisição de uma máquina de braile para produzir uma literatura própria. E, sobretudo, sonha-se em projetar uma escola voltada a esse público. E agora toda esta visão também está disponível no vídeo institucional. “A visão é a mesma, mas com o Haggai pudemos aperfeiçoa-la! Queremos proporcionar novos sonhosà estas pessoas”.

Dr. Marcos e sua equipe na Igreja Nova Vida colecionam histórias marcantes. Os resultados já são extraordinários e reconhecidos, alcançando inclusive deficientes vindos de São Gonçalo, Duque de Caixas e outras regiões próximas a Niterói. “Não cobramos nada, mas para crescer precisamos de recursos!”. Assim, com a definição mais clara do projeto, o próximo passo é o registro oficial da ONG para que seja possível estabelecer novas parcerias com o setor público e privado. Segundo Dr. Marcos Paiva, até o final deste ano, a ONG Consolação vai alargar suas portas e aliviar o sofrimento de muitas outras pessoas e quem sabe, em breve, alcançar o seu sonho: abrir o seu próprio hospital. “Ao contrário daquele aleijado que na história bíblica era deixado na porta do templo pedindo esmolas, queremos trazê-lo para dentro. Queremos que ele viva com qualidade de vida ainda que seja um portador de deficiência. E vamos fazer isto com a graça de Deus”.