O graduado e pastor Marco Antônio Maycá Arriens (Cingapura, 2004) desenvolveu o maior ministério evangélico entre surdos que existe no Brasil. Ele nasceu em Santa Rosa, RS, há 48 anos, mudando-se depois para Ijuí, RS. Foi batizado na Primeira Igreja Batista de Ijuí em 1980 e recebeu seu chamado para o trabalho com surdos em 1983.

Marco Arriens em Cingapura, 2004, fazendo o sinal de eu te amo em Libras
Começou a trabalhar com eles “acidentalmente” em 1984, quando cursava a teologia exegética (grego e hebraico) na Faculdade Teológica Batista do Paraná. Ao realizar um estágio de férias em Altônia, norte do Paraná, numa missão de evangelização de surdos, aprendeu a língua de sinais (LIBRAS), com os surdos, num tempo recorde de 26 dias, cerca de três mil sinais, na época. Até então tinha preconceito em relação às pessoas surdas.
De volta para Curitiba, ao ver um grupo de surdos numa rua central da cidade – e eles estão sempre lá – algo o sensibilizou em relação a eles. Mas levou certo tempo para Marco criar coragem e se aproximar do grupo. Ao fazê-lo, foi muito bem recebido porque acharam que ele era surdo também, de tão eficaz que foi a sua comunicação em linguagem de sinais. “Era um mundo só deles, separado, que eu não conhecia”, comenta Marco. Logo se engajou e se tornou membro da Comissão de Luta pelo Direito do Deficiente Auditivo do Paraná, através do qual participou da organização de seminários e de dois grandes encontros nacionais, que contaram com a participação de médicos, fonoaudiólogos, professores e psicólogos, já em 1985/86.

Ministrando oficina para o trabalho com surdos para 80 professores estaduais em Salvador, BA.
Tendo sido o primeiro membro ouvinte da Associação de Surdos do Paraná, Marco começou a fazer um trabalho muito discreto de levar surdos a diversas comunidades das igrejas batistas, começando na Igreja Batista da Água Verde. Entre a sua primeira viagem à Inglaterra em 1986 e o retorno a Ijuí para trabalhar na agência de publicidade da família e na televisão como produtor/diretor de comerciais de TV, para estudar, pesquisar, e meditar muito, se passaram quase três anos e, a convite da ADHONEP (capítulo Capanema), ele retornou a Curitiba para retomar o ministério com os surdos em 1989.
A Igreja Batista do Guabirotuba o assumiu integralmente como missionário para surdos. Começou seu trabalho na igreja com apenas um surdo na platéia, ou seja, o trabalho de interpretar os cultos. Passou também a ensinar religião numa escola da APAS – Associação de Pais e Amigos dos Surdos. Lá estavam alunos com cerca de 13 a 40 anos, totalmente ignorantes na questão de religião. “Peguei do zero, eles nem sabiam quem era aquele homem pregado na cruz”, comenta. Marco logo descobriu que seu trabalho precisava ir além das aulas de religião e passou a ensinar sobre drogas, namoro, sexo e relações humanas. Como ele havia sido ordenado pastor em dezembro de 1990, usando sua vida integralmente para o ministério com surdos na Igreja Batista de Guabirotuba, Curitiba, ele se sentiu desafiado por Deus a desenvolver um ministério específico para surdos na Primeira Igreja Batista de Curitiba, chegando a reunir mais de 400 surdos na Igreja – o maior ministério de/para surdos do Brasil.
Depois de quase 29 anos em contato com os surdos, lutando por eles, chorando e se alegrando com eles, inclusive, por 15 anos morou com muitos surdos dentro da sua própria casa – o que para ele foi a sua maior “escola” de formação em LIBRAS, por meio do que ele adquiriu grande conhecimento da identidade e da cultura surda!), Marco Arriens é hoje um especialista na área, uma referência no trabalho com esse grupo social no Brasil.

Marco Arriens ministrando oficina para 100 cristãos em Camaguei, Cuba
Atualmente, o pastor Marco Arriens tem um ministério nacional e internacional entre surdos. Criou mais de 30 projetos específicos para os surdos e suas famílias, além de ser pioneiro na formação de intérpretes de Libras no Brasil, chegando hoje a mais de nove mil alunos no Brasil e no mundo. Além disso, ele é também o criador e presidente do Instituto Keiraihaguiai, que existe dentro da Primeira Igreja Batista de Curitiba.
Com muitos cursos de extensão em teatro e dança, inclusive com o treinamento Internacional de Liderança Avançada do Instituto Haggai, em Cingapura (fato decisivo para sua iniciativa de criar o Instituto Keiraihaguiai) e viagens ao exterior para melhor conhecimento das diferentes subculturas surdas, e também para aperfeiçoamento técnico-científico, Marco tem se dedicado exclusivamente ao ministério com surdos do Brasil e diversos países do mundo. Além disso, ele trabalha com prefeituras e governos e como professor de pós-graduação no Brasil e no exterior.

Marco Arriens interpretando em Libras o filme da Turminha Querubim, Um presente especial, da Luz e Vida
Hoje Marco faz mestrado em Psicologia na Universidade Tuiuiti de Curitiba, além de atender a muitos ministérios evangélicos de surdos do Brasil, com aconselhamento, assessoria, implantação e desenvolvimento de ministérios, palestras sobre o mundo e a cultura dos surdos, cursos de treinamento de liderança, e também se dedica à produção de materiais didáticos específicos sobre surdez do mundo inteiro, através de jogos pedagógicos para surdos que ele mesmo criou, a Deaf Toys by Marco Arriens. Produziu em Libras para crianças surdas o filme Histórias para Formiga 2 da Editora Luz e Vida que ganhou, em 2009, o Prêmio Areté como mo melhor vídeo infantil do ano.
Seu pedido a todos os integrantes da família Haggai é que “Orem pelos mais de 250 milhões de surdos do mundo que ainda não conhecem Jesus, pelo Instituto Keiraihaguiai da Primeira Igreja Batista de Curitiba e para que o Senhor, através desse Instituto, continue levantando e capacitando mais obreiros para este grande ministério no Brasil e ao redor do mundo”.
Marco Antônio Maycá Arriens
Mestrando em Psicologia Social e Intérprete Internacional
"É tempo de conhecer o Deus que está mais interessado em nossos afetos do que em nossos feitos, mais atento ao nosso caráter do que aos nossos discursos," Osmar Ludovico









