Nascido em 15 de outubro de 1937, Waldemiro Tymchak faleceu no dia 20 de abril de 2007. Ele participou do Seminário Internacional do Haggai em 1986 e, além de concentrar esforços no envio de missionários brasileiros para o exterior, ele também defendia constantemente o apoio aos chamados “missionários da terra”, resultando inclusive na implementação de um programa específico para sustento de obreiros locais, um conceito defendido pelo ministério do Instituto Haggai.

O apelido “Sr. Missões” tinha uma explicação justa. Quem quisesse entender Tymchak baseado apenas em seu olhar sereno e sorriso discreto jamais perceberia a tremenda responsabilidade que ele carregava em seus ombros. Waldemiro Tymchak foi durante os últimos 28 anos o Diretor Executivo da Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira. Quando ele assumiu o cargo, a Junta contava com 11 campos e 56 missionários. Agora ele deixa para trás um saldo de 58 campos e 528 missionários brasileiros espalhados pelo mundo.

Segundo Ebenézer Bittencourt, Diretor Executivo do Instituto Haggai do Brasil, “sem a menor sombra de dúvida, nosso país perdeu um dos mais influentes líderes cristãos, responsável pelo crescimento histórico da força missionária Batista no exterior. Waldemiro Tymchak era conhecido por sua integridade, sua paixão missionária e por sua incomparável habilidade como estrategista de missões. Ele era um agente da maior importância para o Reino de Deus na sociedade moderna”.

Pastor Tymchak faleceu em uma linda manhã em sua residência no Rio de Janeiro. Seu funeral aconteceu na capela do Seminário Batista do Sul às 14 horas e o enterro ocorreu às 17 horas. O salão estava lotado e o culto foi conduzido pelo reitor do seminário, pastor Israel Belo de Azevedo. O pastor Manoel Xavier dos Santos foi o pregador oficial, mas vários outros pastores usaram da palavra para testemunharem da eloqüente vida cristã do pastor Tymchak. Seu amigo íntimo e companheiro de trabalho, Pastor Marcílio Gomes Teixeira, atual presidente da Junta de Missões Mundiais, mencionou que “ele era alguém cujo coração estava permanentemente apaixonado por Jesus, por sua esposa, seus filhos e família”. No final do culto, a irmã Acidália, sua esposa, falou sobre sua gratidão a Deus por tê-lo como companheiro de vida, seu amor por Deus e por sua denominação. Ela descreveu como eles se encontraram pela primeira vez e, finalizando ela se despediu com um “Até breve, meu amor!” levando a congregação às lágrimas. Logo depois os líderes denominacionais, membros de igrejas, amigos e parentes deram seu último adeus ao “Sr. Missões”.

Quem foi Waldemiro Tymchak? Ele nasceu numa família de descendência russa, com quem aprendeu a língua, no interior do Paraná, na cidadezinha de São José dos Pinhais. Acostumado à simplicidade do campo, como pescar e andar a cavalo, Tymchak tornou-se um cidadão do mundo. Quem poderia imaginar que aquele menino tímido, que tinha que acordar às três horas da manhã para trabalhar como alfaiate para ajudar nas economias de sua casa, porque seu pai falecera quando ele tinha apenas 12 anos, um dia lideraria os batistas brasileiros em tamanho projeto missionário? Criado sob a profunda influência cristã de sua avó, Tymchak entregou sua vida a Jesus. Quando completou 18 anos ele se integrou às atividades da Primeira Igreja Batista de Curitiba, onde desenvolveu seus dons de liderança como um líder de jovens. Depois de abandonar seu sonho de se tornar um sociólogo, ele deixou a Universidade Federal de Curitiba e foi para o Seminário Batista do Sul, no Rio de Janeiro. Como seminarista, ele trabalhou na Igreja Batista Calvário e na Igreja Batista de Copacabana, ensinando, pregando, evangelizando, liderando. Ao terminar seu curso, ele ganhou uma bolsa acadêmica para estudar no Spurgeon’s College, em Londres.

Um momento decisivo em sua vida e ministério foi sua viagem para a Rússia em 1971, a terra de seu pai. Ele, que fora criado entre russos, eslavos, búlgaros, romenos, letos, quando se viu entre os povos de sua origem étnica, foi tremendamente impactado ao ver o que Deus estava fazendo lá e as necessidades prementes daqueles povos. Ao voltar ao Brasil, ele escreveu uma série de artigos em várias revistas intitulados “Eu chorei na Rússia” e missões se tornou sua obsessão. Ele pastoreou por três anos e meio uma igreja em Curitiba e depois se mudou para São Paulo para pastorear a Igreja Batista Boas Novas, uma comunidade de background russo que tinha doze nacionalidades diferentes entre seus membros.

Em 1979, Tymchak se tornou o diretor executivo da Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira. Em 28 anos de grande paixão missionária, alvos claros e trabalho incansável, as realizações são impressionantes. Mais que 50% dos missionários da JMM trabalham entre as nações que compõem a chamada Janela 10/40. Das 15 nações fechadas para as missões, por se encontrarem dentro da então Cortina de Ferro, 12 estão hoje sendo evangelizadas pelos missionários brasileiros. Novos investimentos, novos paradigmas, o conceito de “missionários da terra”, os tent makers, o envio de pastores, leigos, professores, a criação do Centro de Treinamento de Missões, o Programa de Adoção de Missionários, o estúdio de videoconferência, o Jornal de Missões, para mencionar apenas alguns dos seus projetos, revelam a administração moderna, inovadora e audaciosa de Waldemiro Tymchak que sempre precisou contar com uma profunda dependência de Deus.

Que vida! Que ministério! Nosso Senhor Jesus usou Waldemiro Tymchak para inspirar milhares a orar, a contribuir e a se envolver pessoalmente em missões. Ainda serão contados os frutos de seu ministério. Com certeza, milhares de vidas que foram salvas graças a seus esforços missionários hoje o cercam e lhe dão as boas-vindas nas mansões celestiais.

Louvado seja Deus!